CAMPOS DE BATALHA - PINTURAS DE ANTONIO H. AMARAL


Vilém Flusser

1974

 

Descrição:  É uma série de pinturas a óleo de aproximadamente 1,50 x 1,00 m. As pinturas mostram bananas. As bananas estão num prato, parcialmente cortadas e começando a apodrecer enroscadas com facas e garfos. Esta situação banal se torna bastante inusitada pelo fato das bananas estarem amarradas com uma corda do tipo usado para enforcamentos. As pinturas são executadas (se é que se pode usar esta expressão depois de falar de enforcados) com prefeito acabamento, muito realistas, numa maneira quase super-fotográfica. Os fundos e os pratos esterilmente esbranquiçados, os garfos e facas em tons acinzentados, as bananas são ocres, amareladas e esverdeadas, e as cordas em cinza escuro. A estrutura das composições é pesada e compacta. As pinturas são do tipo que transmitem sua mensagem apenas para aqueles receptores que se abrem para ela: alguém pode passar por elas sem dar-se conta de nenhuma mensagem. Outros podem ser praticamente esmagados pela atmosfera de terror brutal e pesada opressão que emana das pinturas. Elas foram escolhidas para serem objeto deste estudo porque elas propõem um problema que é ao mesmo tempo bastante antigo e dolorosamente moderno. O problema do papel desempenhado pela arte na "publicação" de uma experiência particular, na tentativa de dominar um material específico, no seu comprometimento social e no conflito entre estes três aspectos. As pinturas são inusitadamente interessantes porque elas propõem uma síntese deste conflito. 
 

A- Visão fenomenológica: Este método, como propõe Husserl, consiste fundamentalmente em olhar as coisas como se elas fossem vistas pela primeira vez. É muito difícil ver as coisas que nos cercam. Elas estão cobertas por dois tipos de grossas camadas. Uma é a camada do hábito, outra é a camada do conhecimento prévio. O hábito torna as coisas invisíveis porque nós as tomamos como certas. E nós só podemos ver as coisas se elas nos intrigam. Caso contrário, passamos por elas ou as usamos sem mesmo olhar para elas. O conhecimento prévio torna as coisas invisíveis porque nós podemos explicá-las. Coisas explicadas são coisas vazias, elas são transparentes e "não estão mais ali" num sentido existencial do termo. Elas não são mais problemas, e o que faz uma coisa ser uma coisa é que ela é um problema. Nós não podemos ver aquilo que não é um problema. A visão fenomenológica é um método que dissolve as camadas do hábito e do conhecimento prévio amontoadas sobre as coisas, fazendo-as brilhar de novo como se fossem moedas reluzentes. Fenômeno é aquilo que brilha, e fenomenologia é a descoberta dos fenômenos à nossa volta. O resultado é quase sempre altamente inesperado. 
Por exemplo, uma banana. Quem se incomodaria em olhá-la, especialmente num país tropical, no Brasil, por exemplo? Ela não merece atenção (a não ser que a descasquemos), ninguém pensa sobre ela, come-se apenas. E porque deveria alguém pensar nela, uma vez que tantos especialistas já o fizeram? Botanicamente é bem conhecida, seja do ponto de vista estrutural, seja do ponto de vista genético, e sua ecologia não é problema. Ela tem sido cuidadosamente analisada como alimento. As técnicas do seu plantio, colheita e processamento têm sido satisfatoriamente desenvolvidas. Mesmo na arte e literatura "tropicais" ela tem sido usada e abusada "ad nauseam" e não oferece mais atração. O que a gente faz com a banana é uma espécie de reflexo condicionado: pegamos, descascamos e botamos na boca. Nossa atitude em relação à banana é a mesma do macaco, com uma diferença: para o macaco a atitude é "natural", para nós já é uma condição "cultural" pacífica. 
Mas se nós olharmos para a banana, ela se toma um objeto misterioso, quase improvável. Ela não se assemelha a um vegetal por duas razões opostas. Por um lado ela é bastante amorfa, se ressente da estrutura botânica habitual de um abacaxi, uma cereja. Ela é uma planta primitiva e parece ter sido preservada, por alguma estranha coincidência, de um passado geológico há muito esquecido. Nós comemos de sobremesa uma espécie de dinossauro botânico. Por outro lado, ela tem uma forma e textura zoomórfica bastante pronunciada como se fosse um órgão do corpo de um animal. Vista assim ela se toma francamente obscena, e nós comemos um fallus depois do jantar. E isto é apenas o princípio. Considere-se o que acontece quando a cortamos. Basicamente podemos fazê-lo em duas direções. Ou horizontalmente ao longo de seus eixos, ou em qualquer outra direção, verticalmente, diagonalmente ou em várias curvas. Se nós a cortarmos horizontalmente, descobrimos sua organização Cartesiana e estamos no mundo do racionalismo. A banana é então uma coisa alongada à qual a coisa pensante é adaptada. Mas se nós a cortamos em qualquer outra direção, descobrimos sua amorfa falta de estrutura, e estamos no mundo do surrealismo. A banana é uma coisa absurda, totalmente ilógica. E podemos ir por aí ad infmitum. Não tem f1Ill o mistério das coisas que nos cerca desde que nelas prestemos atenção. 
As pinturas de Antonio Henrique Amaral fazem isso para nós. Constantemente se afirma que é este exatamente o papel da arte: revelar o mistério que nos cerca. E revelando o mistério da banana, Amaral nos mostra alguns dos aspectos de sua "essência" (eidos). Ele nos mostra alguns aspectos daquilo que está por trás do que pensamos ser o "real" ( e este pode ser o verdadeiro significado da expressão "hiper-realismo"). Em sua visão fenomenológica da banana, ele dá um decisivo passo além da fotografia: fotografia é objetiva, mas Amaral transcende o objeto "banana" e tenta atingir sua banalidade, sua essência. Deste ponto de vista (que arte é "revelação"), e de acordo com o aforisma de Klee que "a função da arte é tomar visivel o invisível", ele faz o trabalho do artista. O fato de que sua temática são "meras bananas" e não algum deus ou outro princípio, deixa este fato ainda mais patente. E não havendo nada antropomórfico nestas pinturas é uma prova da honestidade de sua finalidade fenomenológica: existe um relacionamento específico entre eu e a banana, a banana é parte de meu "Levenswelt", do contexto de minha experiência, e afim de entender este relacionamento, preciso eliminar quaisquer outros. Esta deliberada eliminação do humano (que era o tema quase exclusivo da arte passada) é característica de uma atitude estruturalista e fenomenológica ( e é a razão pela qual estas atitudes são consideradas "anti- humanísticas" por seus oponentes). Estas pinturas são publicações de uma experiência particular com bananas, produtos de uma visão fenomenológica, e não podem ser confundidas com tradicionais "naturezas mortas": elas são, por serem fenomenológicas, auto-retratos do pintor em referência às bananas. E isto é "publicação" no seu verdadeiro sentido latino: mostrar-se em público. O artista é um exibicionista por exibir o mistério que nos cerca. Este é portanto um aspecto da mensagem que estas pinturas transmitem: elas descerram a "essência" da banana e revelam a relação entre o pintor e bananas. E isto é muito importante não só porque nós mesmos estamos cercados por bananas e precisamos nos relacionar com elas, como também porque bananas podem ser modelos para todas as coisas, e o relacionamento que nos liga a elas pode ser um modelo para os demais relacionamentos que mantemos com o mundo. Em suma: as pinturas oferecem "aistheta" (modelos para "apreender" o mundo). 
 

B- Visão ética:  Sim, mas obviamente visão ética não é a única e nem a sua mensagem básica. Elas não são pinturas "hiper-realistas". As bananas nelas contidas não se apresentam como de hábito, mas envoltas em cordas de enforcados: sem exagerar, pode-se aflrtnar ser esta uma situação bastante estranha. Se deparássemos com uma situação destas no curso de nossa vida diária (numa mesa de restaurante, por exemplo ), ficaríamos profundamente perturbados (apavorados, seria melhor dito). A pergunta que faríamos diante de tal situação (no contexto do real ou da ficção de uma pintura) seria: que diabo significa isto? Fazemos a pergunta "semântica". Ora, esta não é uma boa pergunta para se fazer sobre uma pintura, segundo alguns. 
Uma pintura "é o que é" (de acordo com estes pensadores) e perguntar o que ela significa além de si mesma é não entender o sentido da pintura. Arte não é mais "anedótica", não conta nenhuma estória e nem deve. Pintura está livre de sua "dimensão semântica", esta gente diria, semelhante à música: "visão" pura, ou seja, essencialmente estrutura. Mesmo que não seja abstrata. Ela então mostra, não sua própria estrutura, mas a estrutura pura da coisa que mostra: "hiper-rea!ismo". Mas, como está óbvio, as pinturas de Amara! nos provocam afazer a pergunta "semântica". Elas propõem que as "decifremos". A diferença entre "apresentar" e "representar" é o fato de que numa "apresentação" nós percebemos a mensagem, enquanto que numa "representação" nós precisamos ler a mensagem a fltn de perceber seu significado. Os elementos da "representação" são símbolos ordenados segundo um código, e nós precisamos decodificá-la. Por exemplo: a letra "a" mostra a máquina de escrever que a produziu (ela "a apresenta"), e significa um som específico (ela "o representa"). Existe, porém, um problema. Nós podemos provar objetivamente que a letra "a" mostra uma dada máquina de escrever, porque ela está ligada a ela por uma relação de causa e efeito (detetives raciocinam assim). Mas não podemos usar o mesmo processo em relação ao que é representado pela letra. Pode significar um som, um conceito aritmético, um conceito lógico e assim por diante. Depende do código do qual ela faz parte. Em outras palavras: há várias formas de se ler uma mensagem simbólica. 
No caso das pinturas de Antonio H. Amaral podemos agora afirmar mais claramente: elas "mostram" bananas em situações tão fora do normal que somos forçados a "lê-las" como "representações" de situações não mostradas, mas que têm uma estrutura similar à situação mostrada. Em outras palavras: os fenômenos mostrados são também símbolos que têm um significado que se impõe ao seu leitor. Elas não nos permitem a liberdade de interpretação geralmente associada a representações. Elas não só nos obrigam à sua "leitura", como devem ser "lidas" na forma que o pintor pretende que o façamos. Elas são imperativas. 
Antes da leitura das pinturas, é importante enfatizar o fato de que elas não são "pinturas representativas" no sentido comum do terno. Elas não contam estórias, elas não são indicativas de alguma coisa. Elas dão ordens, elas são imperativos que nos comandam a fazer alguma coisa. Na verdade, elas não são um retomo à pintura representativa, mas são pós-abstratas. Esta é uma distinção formal muito importante. 
A chave para a decodificação do significado destas pinturas nos é imposta pelas coisas "mostradas" e pelo clima na qual estão envoltas. 
É uma leitura muito simples. Não há problemas de decodificação: a inusitada situação, bananas cortadas com garfos, facas e envoltas em cordas de enforcados, significa uma intolerável situação no mundo de fatos reais, e alguma coisa deve ser feita em relação a isso. As bananas representam a massa amorfa de um povo tropical em lenta decomposição, e não pode haver dúvidas quanto à identidade desse povo: as tonalidades amarelas e esverdeadas dão a indicação. As facas e os garfos são os instrumentos que cortam e manipulam essa massa de gente. As cordas significam a situação na qual esse povo se encontra. Os pratos estéreis e os fundos esbranquiçados significam o clima geral de indiferença no qual tudo isto ocorre. A pesada atmosfera de terror e opressão que emana destas pinturas é comum não apenas nestas imagens mas também na situação representada: elas impõem esta leitura específica. E dá à mensagem sua forma imperativa: esta situação não deve ser tolerada. 
A estória não é contada, os "fatos" não são dados, mas "normas" (modelos para um comportamento diante de uma determinada situação) são oferecidos. Modelos para um comportamento neste nosso mundo. E este é, segundo alguns, o papel da arte: mudar nossa maneira de viver . 

C- Visão técnica:  Elas são pinturas a óleo tradicionais. Não há dúvidas quanto a relação entre arte e técnica, e a palavra grega para ambos é "techné". 
O artista manipula um determinado material de tal forma (técnica), que suas potencialidades inerentes se tomam patentes. Ele, dessa forma, "explicita" o que estava implícito no material escolhido. Ele experimenta com seu material, e este é, segundo alguns, a função do artista. 
O progresso tecnológico produziu ultimamente um grande número de novos materiais com potencial idades inerentes praticamente desconhecidas. Eles pedem para serem manipulados por artistas afim de revelar como podem ser dominados. Por exemplo: plásticos, tubos de neon, vídeo-tapes, sistemas cibeméticos etc. A assim chamada "arte de vanguarda" aceitou este desafio. Em realidade o panorama atual das "artes plásticas" não se caracteriza por novas mensagens e sim por novos meios (media) através dos quais mensagens poderão ser transmitidas no futuro. Os artistas estão aprendendo a falar diversas línguas novas, antes de tentar dizer alguma coisa. (A suspeita de que eles não tenham nada a dizer, entretanto, não pode ser facilmente eliminada). Este panorama põe em questão o polêmico aforisma de MacLuhan de que "o meio é a mensagem". Num contexto tal, a pintura a óleo parece um pouco arcaica. Porque alguém vai se incomodar em experimentar com óleo, cujas potencialidades já foram tão exploradas nos séculos passados e que, portanto, não escondem mais nenhum segredo? Neste sentido Antonio Henrique Amaral não é um artista. Ou é? 
Para responder esta questão devemos voltar ao que foi dito na "Visão Fenomenológica". Possivelmente o material manipulado por Amaral e portanto com o qual ele experimenta não seja óleo, e sim bananas? Não terá o artista escolhido o óleo exatamente por ser um material que oferece poucos problemas técnicos? A fim de com ele atingir um outro material (bananas), cujas potencial idades são desconhecidas? Artistas como Spoerri manipulam alimentos de forma direta. Além disso: a indireta manipulação das bananas através do óleo parece oferecer vastas possibilidades ainda não exploradas se utilizarmos uma técnica fenomenológica. Possivelmente o material com o qual Amaral trabalha talvez seja: bananas-mediadas-por-óleo. 
Em relação a este problema, façamos um paralelo com a música. Existem músicos como Bach e Schoemberg que experimentam com as estruturas da música. Eles são, sem dúvida, artistas de "vanguarda". E existem músicos como Mozart e Beethoven que não se cansam de, utilizando um só tema, fazer variações sobre variações para ver o que pode resultar. Eles não são menos "originais" por isso. A série "Campos de Batalha" de Antonio H. Amaral são variações do tema banana. 
Sob o ponto de vista técnico ela só poderá ser completamente compreendida se for considerada como uma série diacrônica de pinturas. Um filme ou um vídeo-tape poderia fazer isso para nós. Tal filme nos mostraria a progressiva revelação da "banalidade" da banana e também da essência de sua mensagem simbólica. Assim, as pinturas de Antonio H. Amaral são um exemplo para futuros usos de um novo meio: estas pinturas, estruturalmente, não se destinam a ser expostas tradicionalmente e poderiam, por exemplo, serem programas de televisão. Sua aparente "tradicionalidade" é portanto uma ilusão. 
Em suma: as pinturas nos oferecem "modelos de uso" (techné), em duas direções. Elas mostram como bananas podem ser manipuladas ( e o que simbolizam, sendo manipuladas ), e como pinturas podem ser igualmente manipuladas. Se, revelar as potencialidades inerentes de materiais específicos (por exemplo, bananas e pinturas) é a função da arte, então, Antonio Henrique Amaral é um artista. 

D- Síntese: Este estudo critico está tentando mostrar três dimensões das pinturas de Antonio H. Amaral que são geralmente aceitas como sintomas de obras de arte, mas que em geral estão em conflito entre si: as dimensões: estética e técnica.  Há uma tendência em acreditar que elas representam uma espécie de dilema existencial para os artistas. A opção estética envolve a publicação de uma experiência particular que nos prove modelos para experimentar o mundo. Neste caso os aspectos técnicos do seu trabalho se tornam secundários e apenas objetivam a intenção estética e qualquer preocupação ética se converte em uma espécie de impureza a ser evitada. Comprometendo-se eticamente eles servem a sociedade e nos fornecem modelos para agirmos desta ou daquela forma. Aqui, os aspectos estéticos e técnicos convertem-se em meios para atingir os objetivos éticos. Ou eles se comprometem tecnicamente: combatendo a resistência de um material específico, estes artistas nos dão modelos de como usar as coisas que nos cercam. Neste último caso, quaisquer considerações éticas ou estéticas são acidentais (embora possivelmente bem vindas). 
Conhecemos muito bem, através da história este triplo dilema e muitos artistas contemporâneos dele padecem. Este problema parece não existir para Antonio H. Amaral, e por uma razão muito curiosa. Por suas qualidades estéticas (atitude fenomenológica) estas pinturas se tornam eticamente relevantes: elas são "verdadeiras" em relação à situação a que se referem e, portanto "eficazes" para aquela situação. Por suas qualidades estéticas elas se tornam tecnicamente sólidas: elas nos convencem da possibilidade da utilização de um material tradicional (óleo s/tela), pois revelam esteticamente suas potencialidades. Por suas qualidades éticas elas são esteticamente relevantes: sendo "verdadeiras" em relação a um significado que as transcende, estas imagens se tornam suficientemente interessantes para serem contempladas. Por suas qualidades éticas elas são tecnicamente substanciais: vale a pena experimentar com bananas porque elas significam algo que as transcende. A qualidade técnica destas obras se tornam esteticamente relevantes: estas imagens de bananas podem ser sentidas pelo espectador porque elas foram apropriadamente manipuladas. E é por causa de sua qualidade técnica que estas obras são eticamente relevantes: porque foram "trabalhadas" da forma que o foram, as bananas significam algo. 
As três dimensões, nas obras de Antonio H. Amaral, não estão portanto em conflito: ao contrário, elas não poderiam existir separadamente. 
Possivelmente o mesmo ocorre com qualquer obra de arte e é um sintoma de que é autêntica. Mas, atualmente, esta síntese é muito raramente encontrada. Na maioria das obras produzidas hoje em dia encontramos a predominância de uma ou outra destas três dimensões (e incluímos aqui mesmo as chamadas "grandes obras"). Da grande maioria das obras contemporâneas, podemos dizer que elas foram produzidas por artistas "experimentais", "politicamente engajados" ou artistas "estetizantes". 
Esta é a razão pela qual as pinturas de Antonio H. Amaral são tão interessantes. Pode-se passar por elas, dar-lhes uma olhada e rotulá-las como "pinturas tradicionais" e, portanto, como anacronismos. Ou nos detemos: e considerando-as percebemos, subitamente, a futilidade de qualquer esforço em classificá-las. O que é, afinal, o único sintoma da verdadeira arte: existe de seu próprio direito, exige de nós que a aceitemos integralmente, nos enriquece e desafia qualquer classificação.