“... Assim, a melhor postura diante de uma obra tão rica e surpreendente, é não encarar nada como sendo definitivo, nem a interpretação do crítico nem as declarações do artista. Nem sempre o artista é o melhor intérprete de sua obra e o fato de ser o autor não o qualifica para dar a última palavra sobre ela. Até porque, mesmo para o artista, existem no trabalho partes obscuras, de decifração difícil. Afinal, ele não trabalha apenas na esfera do consciente e da razão. Como já dizia Klee, ‘O homem não pode suportar muito tempo um estado de consciência. Ele deve refugiar-se no inconsciente, porque é lá que vivem as raízes do seu ser’. Por outro lado, uma obra de arte ganha ou perde significados à medida que se relaciona aos acontecimentos externos a ela como também à própria história da arte. ...”

Frederico Morais fev/93